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No primeiro dia de greve dos professores, aulas nas escolas de Araraquara ocorrem normalmente
09/03/2010 às 03:15:17
Foto: Greve dos professores na Capital - Reprodução – Reprodução

Docentes não aderem a greve e Apeoesp visita escolas para pedir adesão.

É baixa a adesão dos professores das escolas estaduais de Araraquara à greve da categoria iniciada nesta segunda-feira (8). Reunidos em assembleia na Praça da República na última sexta-feira, mais de 10 mil professores aprovaram greve por tempo indeterminado. Também estiveram presentes, além da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), representantes da Udemo (Sindicato de Especialistas em Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo), Apase (Sindicato de Supervisores do Magistério no Estado de São Paulo), Apampesp (Associação dos professores aposentados) e CPP (Centro do Professorado Paulista). Os professores reivindicam reajuste salarial de 34,3%, incorporações das gratificações, plano de carreira justo, garantia de emprego, fim das avaliações dos temporários e de mérito, revogação das leis 1093, 1094 e 1097 e concurso público classificatório.

Para a coordenadora regional da Apeoesp sediada em Araraquara, Maria de Lurdes, o movimento é legítimo e precisa da participação de todos os professores. “Iniciamos a visita às escolas nesta segunda para informar os professores sobre o que foi decidido na sexta-feira durante a assembleia. Temos representantes espalhados pelas escolas conversando com os professores para conscientizá-los de nossas reivindicações”, disse.

Sobre a informação de que alguns diretores teriam dificultado a participação dos professores na paralisação de sexta, a coordenadora diz que é preciso união de todos neste momento. “Todas as entidades representativas dos profissionais em educação estavam presentes na assembleia e apoiaram a greve. A Udemo, que representa os diretores, a Apase, que representa os supervisores e a Afuse, dos funcionários, estavam lá e se uniram em torno do movimento. Portanto é uma greve de todos”, diz.

Desmobilização
O sindicato deve divulgar balanço parcial do movimento grevista hoje.

A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo classificou a greve como política. Em nota, a Secretaria desqualificou o movimento dizendo que os professores não irão aderir a greve. “A secretaria confia que o conjunto dos professores, a exemplo das tentativas anteriores da Apeoesp, não vai se mobilizar em relação a essa pauta que só prejudica o ensino público e que é contrária aos próprios interesses dos professores”, diz a nota.

Para a professora de português Elis, a baixa adesão se deve a fragmentação da carreira docente que se instalou no Estado de São Paulo. “Os professores são divididos em inúmeras categorias. Existem os efetivos, os aposentados, os estáveis, os eventuais, os da categoria L e da categoria O. É uma infinidade de categorias cada qual com seus interesses específicos. Tem que ocorrer uma mobilização, porque até os efetivos concursados podem perder suas cargas suplementares no próximo ano”, diz.

Queda de braços
A Justiça de São Paulo decidiu no dia 8 de fevereiro, menos de dez dias do início do ano letivo, dia 18, que os professores temporários que já atuavam na rede estadual de ensino teriam prioridade na escolha das aulas, mesmo que tenham tirado notas inferiores aos novatos em exame realizado no final de 2009. Inicialmente, o critério priorizava os professores que tiveram melhor desempenho na prova. A decisão foi tomada a pedido da Apeoesp. Tal decisão atrasaria o início das aulas de 5 milhões de alunos por conta da nova distribuição das aulas. No dia 12 do mesmo mês, o governo conseguiu reverter a decisão através de liminar, garantindo o início do ano letivo e a prioridade para quem alcançou nota melhor no exame.

Outra medida do governo que deixou os professores em pé de guerra foi a incorporação da Gratificação por Atividade de Magistério em três parcelas (2010, 2011 e 2012), o que, segundo a Apeoesp, representa um acréscimo salarial anual irrisório.

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