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Ferroviária é duramente criticada na Câmara e tem futuro incerto
10/03/2010 às 01:47:13
Foto: Sessão Ordinária da Câmara - AI

Uma entrevista concedida recentemente pelo atual presidente da Ferroviária S.A., Welson Alves Ferreira Júnior, o “Juninho”, onde ele critica a classe política da cidade pela falta de empenho em buscar apoio de empresários ao clube, que disputa a Série A-3 do Campeonato Paulista de Futebol, causou séria repercussão na Câmara Municipal durante a sessão ordinária desta terça-feira, (09).

Instado por um repórter, logo após a partida em que a Ferroviária foi derrotada pelo São Carlos, a falar sobre o momento vivido pelo clube-empresa, Juninho fez um grande desabafo, e soltou no ar uma frase onde perguntava, com todas as palavras, “...onde estão os políticos de Araraquara agora?”. Afirmando que o time não vem recebendo apoio da Prefeitura e, por isso, não conta com boa estrutura para a disputa do acesso para Série A-2 do Paulistão, dentre outras coisas.

Pesado, o desabafo de Juninho repercutiu  mal nos bastidores do atual legislativo, onde muitos parlamentares já se opõem há tempos à política de misturar o Poder Público com o futebol profissional de Araraquara. E, justamente para defender tal posição, além de rebater as afirmações do presidente da S.A., alguns vereadores tomaram a palavra durante a sessão da Câmara e ninguém aliviou.

“A Ferroviária é um patrimônio do esporte de Araraquara e é claro que eu torço por ela. Mas, é importante dizer que cada um cuida de suas responsabilidades e a minha é cuidar de fazer um bom mandato, para o qual a população me elegeu.

Já a responsabilidade do Juninho é cuidar da Ferroviária”, afirmou o vereador João Farias (PRB), primeiro dos parlamentares a comentar o tema.

E ele falou mais, garantindo que não se enquadra dentre aqueles homens públicos citados pelo presidente da Ferroviária, “...que só aparecem na Arena da Fonte para assistir jogos de times grandes”, como os do Corinthians e São Paulo, que recentemente jogaram em Araraquara.

“È verdade que eu fui ver o meu Corinthians. Mas, eu também fui ver o jogo contra o São Carlos e confesso que não gostei do que vi. O time não vibra, não luta em campo, não gasta a bola, não joga com paixão. O que está faltando ao time da Ferroviária é amor à camisa, é compromisso com a cidade”, ralhou o vereador. Que reclamou em seguida: “Quero dizer aqui que o Poder Público está à disposição da Ferroviária. Nós queremos ajudar, sim. Mas, tem que acabar essa história de que a Prefeitura tem que entrar com dinheiro para salvar a Ferroviária. Não tem, não! Chega dessa conversa. A Ferroviária é que tem que fazer sua parte, e fazer direito, porque não está fazendo. Como é que pode acabar com as categorias de base?”, perguntou o vereador indignado.
 
“Ninguém se identifica com essa Ferroviária”
Na mesma linha seguiu Aluisio Braz, o “Boi” (PMDB). Líder do partido do prefeito na Câmara Municipal, Boi, que sempre pautou seu mandato por iniciativas junto ao esporte amador e, justamente por isso, reclamou bastante do sistema adotado pela S.A na administração do futebol profissional da Ferroviária.

“Temos um dos melhores Campeonatos amadores da região, mas nenhum dos jogadores revelados em Araraquara serve para a Ferroviária. E por quê?”, questionou o vereador.

Garantindo a seguir, que caso o time contasse com atletas revelados por aqui, haveria, sim, maior envolvimento da população. “É lógico que haveria mais compromisso da comunidade com a equipe, o que agora não existe. Porque ninguém se identifica com essa Ferroviária; nem os jogadores atuais, que não são daqui, e nem a torcida”, falou.
 
“Não larga o osso”
Outro que também tocou no “assunto Ferroviária” foi o vereador do PV, doutor Lapena, que também criticou o modelo atual de administração da equipe. “Time com jogadores de fora não presta, não cresce e não sobe.

Precisamos de uma categoria de base forte, aí, sim, teremos estrutura subir de divisão”, afirmou.

Quem tomou a palavra logo depois do doutor Lapena foi o presidente da Casa, Ronaldo Napeloso (DEM), que não poupou críticas ao momento vivido pela Ferroviária. “Nós temos que ter um pouco de humildade no caso da Ferroviária, porque, afinal de contas, o time está na 3ª divisão. Mas, não é isso o que vemos, porque sempre que alguém fala da Ferroviária, já fala como se a equipe estivesse na 1ª divisão”, reclamou.

Napeloso lembrou ainda que “...não é de hoje que se ouve essas reclamações sobre a necessidade de mais apoio do Poder Público”, mas que no final, “ninguém larga o osso”.

“Já está muito difícil falar da Ferroviária por aí. E ninguém da S.A pode reclamar da classe política de Araraquara. Porque nos últimos anos, o que mais a classe política fez foi sair por aí passando o chapéu para arrumar dinheiro para a Ferroviária, e arrumamos muito dinheiro!”, disse ele.

Revelando a seguir que a classe empresarial de Araraquara já cansou de “torrar” dinheiro com o time.

“Os empresários nos perguntam o que, afinal, nós queremos. Eles perguntam se queremos que eles ajudem a Santa Casa, as entidades beneficentes ou a Ferroviária?”, falou. Afirmando logo depois que o momento é de repensar a Ferroviária.

“Precisamos repensar esse assunto Ferroviária. Porque temos a Arena da Fonte para manter e não é uma tarefa fácil. Falo isso, porque a Federação Paulista de futebol não parece disposta a lotar os estádios em partidas de futebol. Hoje em dia, para assistir a uma partida do Paulistão ao lado de um filho, o cidadão gasta mais de R$ 200,00. Não é possível isso! Então, acho que todos devemos nos sentar e buscar uma saída para a Ferroviária. O que não pode é continuar achando que a Prefeitura é que tem que pagar a conta, isso, não!”, concluiu.

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